Nannainah, um Balanço, uma Saudade de quem não conheci

Nannainah, um Balanço, uma Saudade de quem não conheci

Vou contar pra vocês outras coisas sobre essa música… essa que morreu e nasceu no mar, como um amor que a gente abandona ou perde ou ganha. Meu nome. Vou começar por ele.

Sou Caroline Voigt na certidão de nascimento. Ouvi do meu avô a história de uma Caroline que vinha no navio, a avó desse meu avô, e que morreu durante os três meses de viagem. Seu marido viúvo, (meu… tataravô?) ao desembarcar no Brasil casou com outra Caroline que ele conheceu nesse mesmo navio. Essa música veio me contar essa história vários anos depois de ter sido composta.

Um beat box no loop station e o convite pra improvisar. Em Brasília, com Leo Vidgi ela começou a ser concebida. Dias depois coloquei tudo no carro e desci de mudança pra Blumenau. Já tinha tanta estrada na minha bagagem. O bom da estrada é que ela não pesa, ela leva… e eleva.

Um amor que não cansava de doer, as ondas batendo com vontade na areia. Aquele branco se esparramando com velocidade e carinho. Joguei minhas lágrimas no mar e pedi pra não ver aquele sofrimento mais. E na música eu me liberto. Me esvazio e me encontro.

Cheia.

Ressaca.

Forte, pálida e espuma.

Mandei a música pro Felipe França que lá de São Paulo respondeu com algumas coisas diferentes, tudo novo! Ainda era meu aquele sentimento e agora era nossa aquela música.  Eu preciso falar do Felipe na minha vida!!

A gente se conheceu no Feitiço Mineiro em Brasília e falamos a noite toda de música! E eu adoro falar sobre música com quem gosta de falar sobre música. Lógico. Amo muito! É a minha vida. Adoro. Eu tava sem compor já tinha uns anos! Sabe quando parece que dá uma enferrujada? Pois era. Ele voltou pra São Paulo me lançando o desafio de fazer uma música sobre amarrar o cadarço, um história bem longa que nem vou saber contar mais. Na viagem pra lá ele fez uma música com a facilidade de quem faz uma lista de compras, e eu passei semanas anotando coisa, riscando, rasgando com raiva. Beeem depois saiu qualquer coisa que eu resolvi mandar pra ele. No mesmo dia ele mandou a gravação com uma melodia… choquei. Tinha ficado massa até! Me joguei na brincadeira e fizemos “À Distância” que também tá no Elas por Elas. Vou colocar aqui pra vcs curtirem. Lembro de ter parido uns primeiros trechos dessa música no trânsito da ponte Rio-Niterói indo em rumo à Recife (nunca cheguei em Recife, nessa viagem parei em Caraíva).

Depois de passar pelo caldeirão encantado do Elas por Elas, e pela benção do SONORA – Ciclo Internacional de Compositoras, fomos pro estúdio gravar! Varamos a madrugada: Moyses de Jesus, Marcelo Besen, Neno Moura, Vavá Osvaldo Pomar, minha mana Gika Voigt e a Renata Swoboda. Tem que ser muito amigo né! E foi uma delícia.

Quase um ano depois joguei a rede mais longe: Lancei Nanaína pro Mauro Refosco em Nova York. E ele trocou a roupa dela e até de nome. Espera, também preciso falar do Mauro!!

Ganhei um CD do Forró in the Dark de um cara poucos meses depois de ter lido algo sobre eles numa revista dessas de avião. Eu já amava, pirava e usava como trilha sonora perfeita pras minhas aulas de interpretação para cantores. Enlouqueci com aquela sonoridade, eu queria muito fazer aqui meo!! Aquele som folk cosmopolita eletro-tudo! Queria. Quando o Felipe Hostins (outro Felipe), sanfoneiro de Blumenau me chamou lá de Las Vegas pra me jogar pros EUA eu catei meu CDzinho, o óleo de peroba pra passar na minha cara de pau, e saí mandando mensagem pelo facebook pra todos os integrantes daquela banda. Quem foi o querido que respondeu? O Mauro!!! Que eu descobri depois que era catarinense de Joaçaba (!!!) e que tocava com um monte de gente importante (Red Hot Chilli Peppers, David Byrne, Atoms of Piece). Não, o Mauro não era só mais um músico, ela era daquela gangue dos geniais. E quer saber… um querido! Muito maravilhoso! Tocou com a gente em Nova York, levou a gente pro estúdio na casa dele pra gravar. (escute aqui as gravações guias feitas em 2015) Eu precisava trabalhar de novo com esse cara! E por mim, eu compraria seu passe se tivesse a venda e o meu dinheiro desse.

Enquanto esse dia não chega me delicio com um petisco, uma dose generosa de urbanidade de raiz, roots-futurista do jeito que eu gosto. Cheia de história e uma batida que não deixa a pélvis parada. Dia 26 de novembro… nas plataformas. Tá chegando.

 

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