Desde quando o forró não é ParaTodxs?

Desde quando o forró não é ParaTodxs?

Senta que lá vem a história…

Eu amo o forró pé-de-serra tradicional do jeitinho que ele é. Só pra deixar bem claro e introduzir esse assunto que ainda é bastante delicado entre algumas pessoas que são de uma outra geração. Sei que já estamos lá na frente nos debates sobre respeito e diversidade. Mas pra mim, faz parte do respeito entender que o outro ainda não conseguiu colar junto no nosso pensamento e questionar mesmo, ainda com cuidado, exercendo o respeito que queremos receber.

De um lado, temos uma quantidade infinita de pessoas que têm sido obrigadas a viver dentro de um modelo no qual quase ninguém se encaixa. Do outro lado, algumas pessoas que estão bem acostumadas ali dentro daquela caixa, mesmo sabendo na sua essência que a realidade é um pouco mais abrangente.

É difícil se sentir amarrado, obrigado, desrespeitado e responder com doçura à essa violência que vem dos intolerantes. Tem gente que consegue? Tem. Tem quem não se importe e siga vivendo? Tem também. Mas é pra mudar o mundo todo dia que a gente tá vivendo ou não é?

Eu opto por espalhar amor, abraçar o tiozinho do forró e não brigar com ele porque ele faz piada machista. Deixo pra lá. Traço de novo a estrada e trago pra perto de mim só os melhores sentimentos. (Às vezes eu piro também e rodo a baiana bonito).

A masculinidade machista é tão frágil! Imagina, dançar homem com homem? Imagina a mulher do cara dançar com outro cara? E as cantadas horríveis acompanhadas de homens pegajosos. Não amor, não tô falando de todos. Tem vários caras fofos e cheirosos (ou até suados), que foram pra escolinha da educação, que sabem ser gentis e perceber que a mulher é uma pessoa! Só isso. Parece fácil, parece simples, mas não é.

Toda vez, toda vida, sempre tem um monte de bissurdo acontecendo na noite. Não é porque tá todo mundo alegre que tem que ser insuportável, né? Acho que dá pra melhorar por dentro. Acho que dá pra ninguém nunca mais agredir alguém que é LGBTQ, só por esse motivo. Dá sim, pra gente ser melhor no forró, no carnaval, na igreja, que seja! Mas a gente precisa aprender a aceitar que as pessoas se beijam e se amam, e ninguém precisa se ofender com isso. E invadir mesmo! Fazer todos os lugares serem tomados pela diversidade. Pelo afeto.

Simbora amar!

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